Friday, December 01, 2006

Ficção Não-Científica


Eu não sei escrever. Isso é um fato. Às vezes, num relance, tenho boas (?) idéias, mas não sei passá-las para o papel (tela do computador). Pedro Juan Gutierréz disse que de nada vale uma arte que não seja perturbada. Escrevo por isso. Sou perturbado.
Perturbado pelas críticas, pelo que já escrevi no passado. Coisas que eu acho invariavelmente ruins. Acho que tenho que fazer o curso de Letras na universidade, ou ler mais coisas que eu considero chatas e que consideram geniais. Sinceramente não me importa muito. Quando escrevo alguma coisa, aquilo fica daquele jeito. Dou uma revisada gramatical, pego o "Pai dos Burros" para checar uma ou outra palavra, mas em geral, fica como está.
Li uma vez um livro sobre "como escrever best sellers" e a primeira dica era: "Quando terminar de escrever, reescreva tudo denovo". Foi nessa hora que eu percebi que não sabia escrever - pelo menos não sabia escrever best-sellers. Uma das críticas que eu já recebi pelo menos 10 vezes de pessoas que me conhecem muito bem foi: "Você escreve como fala". Fiquei muito triste e muito feliz ao mesmo tempo. Muito triste porque eu não sei fugir da minha linguagem usual, muito feliz por que tenho um estilo próprio, reconhecível.
Admito que isso me assusta: pensarem que a ficção que eu escrevo me descreve. Quando descobrirem que não me descreve, me chamarão de mentiroso. Seria como "Papai Noel não existe": o °F não existe! Deve ser por isso que escrevem "Isso é uma obra de ficção, qualquer personagem ou fato existente na vida real é mera coincidência". Devem ter medo de serem confundidos com o vilão da estória. Ou pode ter alguma lei que, interpretada de maneira (in)conveniente, permita o escritor ser processado por algo que ele escreveu. Não posso falar dos (pelos) outros escritores: eu não maqueio a realidade na minha ficção. Apenas escrevo.
Ficção. Não-científica.
"Um escritor é alguém congenitamente incapaz de dizer a verdade. Por isso, o que ele escreve se chama ficção" (William Faulkner)

8 comments:

outlaw_n said...

como sou o primeiro a ler e descobrir a existência desse blog (afinal acabei sendo meio que culpado por ºF saber o endereço do blogger) fico feliz por saber que pelo menos o texto inicial é bom, espero que continue assim, se não...
Tá legal, não posso fazer nada contra o blog, afinal não sou um hacker, mas posso deixar de comentar, hehehehehehe.]
Benvindo a Bloggosfera

ŦąՅเσ™ said...

é bom que continue bom..

Flávio Caldas said...

A verdadeira poesia não está em dominar um português perfeito, em viver em uma prisão de regras e/ou burlar vicios de uma linguagem que, por si só, configura-se das mais complexas.
A verdadeira poesia está em tocar a alma das pessoas, emocionar, atingir o "feeling", fazer da realidade o palco de gloriosas sensações...
A verdadeira poesia nos toca, mesmo que envolta de banalidade, mesmo que seja nosso filho mais errante...
A verdadeira poesia é o nosso céu de nuvens carregadas da mais verdadeira expressividade constante. Aquela ali... Perdida nos pensamentos ou largada em um mundinho de verve rústica...

ŦąՅเσ™ said...

esse comentário merecia um blog só para ele...

Ana Cristina said...

Assim... Não, realmente o que escreve não o descreve. Mas talvez as pessoas queiram dizer (ou não né?) que a forma como escreve, descreve como você fala e dessa forma, descreve um pouco de você. Nem sei se deu pra entender. No momento, em que seu texto descreve o modo como você fala e o modo como você fala faz parte da sua identidade, esse texto descreve, nem que seja apenas em partes, você.
Peraí... Deixa eu reler... É, acho que é isso mesmo...

ŦąՅเσ™ said...

ehehehehe é sim, Ana, é masi ou menso isso... valew o comment

Anonymous said...

Que bom que finalmente você decidiu nos ''perturbar'' com suas ''perturbações''.
Continue nos enriquecendo com seus textos e se lapidando cada vez mais com as críticas.

Raíssa

Anonymous said...

f... oque posso dizer? como expressar o que senti ao ler todos os contos. São contos? Enfim, li e adorei todos e axo que voce deve continuar a escreve-los porque com certeza terei muito prazer em lê-los.