Monday, February 18, 2008

Inacabado (com um melhor acabamento) - Ficção

Uma cerveja eu conseguiria em qualquer lugar, até num supermercado.
Mas fui no Bar. Local público, cheguei e fui entrando.
Estava mais vazio que de costume. Aliás, eu era o único freguês... não sei dizer se outras pessoas sequer beberam lá.
A lourinha esfregava no chão a ponta de um rodo coberto com um pano encardido. Bonitinha até, não sei se era a mesma da última vez. Depois de tanto tempo, talvez não fosse. Mas ela me chamou pelo nome:
"-[Meu nome]!!! Você, aqui?!? Quanto tempo!!!" - era um clichê, obviamente. Talvez tivesse treinado com seu chefe, o dono do bar, essa recepção calorosa.
Sentei no banquinho alto, rente ao bar, e pedi uma cerveja. Ela me olhava e eu fingia que não via, fitando o balcão. Queria fugir de um possível pedido "me leve pra casa", principalmente porque eu não tinha carro. Mas não era nada disso. A lourinha me passou um papelzinho dobrado no meio, talvez rasgado de um caderno:
"-É seu?"
Não era meu.
Meu silêncio deve ter dito para ela soltar o papel no bar, já que foi o que fez.
O bilhete estava escrito com a minha letra. Uma sequencia de números. Oito números: um telefone, eu acho. Uma sequência de letras: um nome, tenho certeza. O papel não era meu, não lembrava de ter escrito aquilo. Mas a letra era. A curiosidade valia uma ficha telefônica.
Liguei e, ao ser atendido do outro lado, perguntei pelo nome anotado em cima do número. Engraçado: homônimo da minha ex-namorada. Um palíndromo de três letras, cheias de graça. A resposta não teve graça alguma:
"-Ela não quer falar com você."
Desliguei e deixei pra lá. Voltei para o bar atrás de outra cerveja, dobrei o papel novamente e joguei de volta no balcão.
"-Porque aquele bilhete tem minha letra?"
Encarei o papel dobrado durante alguns goles.
Peguei-o novamente. Outra anotação agora estava ali. Outro telefone, outro nome. E a mesma letra. A minha.
Primeiro uma ex-namorada, agora, um ex-amigo. Assuntos inacabados. Aquele pedaço de papel branco com finas linhas azuis, arrancado de um caderno qualquer de segunda, queria me dizer algo.
Liguei para o ex-amigo. Ele também não queria falar comigo. Dobrei o papel novamente. Era hora da terceira cerveja.
O que minha letra me diria agora, se eu voltasse a desdobrar aquele papel jogado no balcão?




PS.1 - Reescrevi, com o intuito (claro) de ficar (e terminar) melhor. O fim ainda está por vir, não se afobe :D . O tempo tá curto, mas prometo terminar. Obrigado pela leitura.
P.S. 2 - Se quiser comparar, o primeiro está 2 posts abaixo. Abraços.
P.S.3 - Quando alguém começa a se reciclar é porque o negócio não tá bom, hein? auheuheuhea
mas né nada disso não... eu só quis melhorar um pouquinho o texto que nem reescrito eu tinha...
valeu seu tempo. Nos vemos no fim dessa saga :Z .

5 comments:

André Luiz said...

No aguardo do fim.

°F said...

esse povo é exigente pracacete, né não?? parece até que está pagando..

Samuel Gois said...

gostei ,sera que o ex- bicho de estimação sera o proximo? quero ver como termina hehehe >D

Jessica Lara said...

Tá bem melhor que o primeiro mesmo, escolheu melhor as palavras coloco mais algumas...fico bom ;D
Pelo visto não esse cara não parece ser muito querido né... hauHAUhauHAUhauHU
Tô ansiosa pra ver o final tbm...

audaci jr. said...

MO-RÉÉÉÉ-UUUUUUUUUU????????!!!!!!