Tuesday, July 26, 2011

Sobre decisões e vergonhas não-alheias (Ficção)

Todas as vezes vivia um conflito interno.
"Você tem que decidir. Não importa como se sente."
"Você pensa que é fácil..."
O debate já durava algum tempo. Na verdade, a cada nova situação, o Cérebro e o Coração digladiavam, normalmente um certo de algo e o outro em dúvida. O Coração levantou a questão e, por sua natureza, o Cérebro já tinha racionalizado tudo. Logo, uma decisão em conjunto se tornou inevitável. É assim que as coisas funcionam.
"Então, leve em consideração como se sente!"
"Como me sinto? Então, ok: minha decisão é não tomar nenhuma decisão."
"É, brilhante! Mas isso não funcionou da última vez, funcionou? Ou você decide que sim, ou me apresenta argumentos para não. E pronto. Já passamos por isso antes."
Só faltava seu Coração concordar. Seu Cérebro já tinha decidido.
"Mas... e se a minha decisão gerar outras questões?"
"Então não decidiu. Você faz sua escolha e vivemos com ela. Ponto."
"Você, sempre racional..."
"Você, sempre reticente."
Ele sempre passava por isso ao publicar, ou não. Enquanto Cérebro e Coração não estivessem de acordo, não publicaria.
Enfim, o Coração decidiu:
"Ok, vamos publicar."
A Cara, até então calada, se manifestou:
"Não tenho nenhuma vergonha disso!"
Está publicado.
"Viver indeciso não é viver."

1 comments:

F/X said...

Do Cérebro para o Pink.
Tarde demais.